Gente, calçada e rua


Para muitos a rua é apenas local de passagem entre lugares privados, servindo apenas de ponte para se chegar a algum lugar. Na pressa que nos é corriqueira, às vezes mal reparamos um prédio antigo ou aquele belo ipê que cresce em plena via pública.


O que para a maioria é público, para alguns é local privado. Pequenos metros quadrados se tornam local de morada, de criação de significado, de troca de afetos, de vivência do cotidiano! Ali, em uma maloca à beira de uma avenida movimentada, a calçada vira varanda, por baixo da marquise vira cama e a esquina, seu sustento.


Imediatistas, vivem o agora. Presentes ao momento presente mas amargurados pelo passado, que atormenta e dilacera por dentro. Vínculos rompidos, separações, perdas, luto...


Procuram aliviar esse desprazer através do cachimbo, que traz alegria momentânea.


A rua é cruel, mas é liberdade. É sofrimento, mas também irmandade. É lamento, mas é sustento. E como diria um desses seres incríveis: "não durmo na rua, eu durmo na calçada senão eu morro atropelado".


Por Thiago Andreazza

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